As equações de Maxwell continuavam sendo, para a maioria dos físicos, elegância matemática sem confirmação experimental direta. Bonita, coerente e um pouco suspeita. Coube ao alemão Heinrich Hertz (1857-1894) fechar essa lacuna. Entre 1886 e 1888, no laboratório da Universidade de Karlsruhe, Hertz construiu um oscilador rudimentar, dois condutores metálicos separados por uma pequena fenda, onde uma faísca de alta tensão saltava e gerava oscilações elétricas rapidíssimas. A alguns metros de distância montou um simples anel de fio metálico com uma fenda igualmente pequena, um ressonador, sem nenhuma conexão física com o oscilador. Nenhum fio entre os dois. Nada além do ar da sala.
Toda vez que o oscilador disparava uma faísca, uma segunda faísca, minúscula, saltava no ressonador. Hertz7 havia gerado e detectado, no ar do próprio laboratório, o tipo de onda que Maxwell previra no papel duas décadas antes. Mediu a velocidade dessas ondas e confirmou que coincidia com a da luz. Construiu parábolas metálicas para focá-las, ancestrais diretas das antenas parabólicas que hoje enfeitam telhado de todo mundo. Mostrou que podiam ser refletidas por superfícies metálicas, refratadas ao atravessar um prisma de piche e difratadas ao contornar obstáculos, o repertório completo da luz visível numa frequência bilhões de vezes mais baixa e invisível a qualquer olho humano.
Perguntado por um aluno sobre a utilidade prática daquilo, Hertz teria respondido, com a modéstia de quem só queria confirmar uma teoria bonita, “Não vejo nenhuma utilidade. É apenas um experimento que prova que o professor Maxwell estava certo.” A frase envelheceu mal, ou muito bem, dependendo do ângulo de quem julga. As “ondas hertzianas”, como foram chamadas por muito tempo, viraram a base de toda comunicação sem fio que a humanidade construiu desde então. Hertz morreu aos 36 anos, sem ver a primeira transmissão comercial, e essa talvez seja a parte mais ingrata desta história inteira.
7 HERTZ, Heinrich. Electric Waves: Being Researches on the Propagation of Electric Action with Finite Velocity Through Space. Londres: Macmillan, 1893.





